sábado, 19 de dezembro de 2009

O baile da vida

Às vezes ouvimos algumas coisas num momento inadequado

Abalamo-nos

A sensibilidade dos sentimentos reflete no corpo

O céu azul é coberto por nuvens de incertezas

Esse é bolero da vida

Estar à beira do mar e receber uma onda de surpresas

Ver surgir alguém repentinamente de um lugar que a dias você olha

Saber que o ritmo da música varia progressivamente

Ajudar

Ser ajudado

Acordar olhando para o teto que um dia foi estrelado

E que hoje é apenas um teto branco

O lustre das idéias que ascende e apaga

Dia

Noite

A sensualidade que se perde nos cabelos brancos

Espelho mentiroso

Espelho sincero

A arte de envelhecer é como melodia

A morte é como desafinar e desistir da música

Viver é escutar em vários momentos canções

Dançamos esse baile da vida por muito tempo

Para muitos se torna rápido demais

Vestido

Terno

Lençóis

Eu sou piano

Eu sou louco

Somos tudo que quisermos numa fração de pensamento

Somos amanhecer

Entardecer

Visão de tudo e de todos

Sorriso vazio

Depois cheio

Respondam-me o que vêem?

Prossiga

Persista

Assim os pássaros voam...

(Autor: Leandro de Souza Cruz - 07/07/2009)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Sou eu quem...

Um lampejo de lembrança
parte do que foi e não mais é.
Sou eu, e ser é a herança
dos que se dizem sãos, até...

Sou poeta, bêbado e palhaço,
pense em mim como os muitos qu' eu sou,
como os muitos encerrados no abraço
deste qu'escreve, que bebe, que dá seu show!

Equilibrado então e em meu passeio
dou piruetas na corda que se não vê;
fujo de amores em meu findo receio
pois o palhaço, também amante, não pode ser.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

*Baseado e inspirado num pensamento fictício de uma pessoa conversando com o espelho.

Espelho


Abro os olhos

Tudo tão escuro

Tento sair

Só me resta fugir

Devo ser forte

Mesmo sem estancar a ferida desse corte

O que é sorte?

Seria viver longe da morte

Brinco com ela todos os dias

Pensamentos dançam embaixo dos lençóis

Embalam o quase dormir

Águas que caem do teto

Submergem loucuras

A vida é um mar incerto

Onde não adianta apenas ser esperto

Quando em segundos tudo vira deserto

Você sente um vazio no peito?

Sinto cheiro de agonia

Sua ou minha?

Não corra!

Não morra!

Pois sua cova você mesmo que cava

O Cemitério é sua casa

E o que te sepulta são suas atitudes

Lágrimas guardo

Engulo

Alago meu interior

Quando o tiro vem

Ouço um sussurro

Saia da frente!

Chegue mais perto!

Assim tudo volta a cada escurecer

A cada amanhecer

A cada envelhecer

A cada vez que não vejo ninguém

Nem me olhe assim dentro dos olhos

Minha alma é como espelho

Reflete uma sociedade insegura

Penosa e obscura...

(Autor: Leandro de Souza Cruz - 03/02/2009)

domingo, 13 de dezembro de 2009

MINHA PRIMEIRA POSTAGEM AQUI !!!

Liberdade


É ter asas e poder voar

Sair sem ter hora pra chegar

Dormir sem precisar de hora pra acordar

Relacionar-se sem a obrigação de amar

Acelerar

Andar

Pular

Sorrir e às vezes chorar

Por cima dos obstáculos saltar

Olhar nos olhos e depois beijar

Oferecer os ombros para confortar

Ouvir uma música que te faz delirar

Respirar

Querer e conseguir falar

Apenas me permita sonhar

Voar

Acordar

Delirar

Respirar

Talvez um dia até amar

E muitas outras coisas que nos faz continuar

Apenas me permita...


(Autor: Leandro de Souza Cruz - 30/11/2009)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Hamster

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Não sei e nada sei

Eu procuro algo

Um algo que nem sequer sei para que

Nem onde

Nem porquê.

Sequer sei o que sei

Eu procuro um encaixe

Mas o que será isto?

Todos duvidam que eu ache

Pois eles também estão perdidos.

E eu procuro um encaixe.

Um lugar onde eu caiba

e que seja bem-vinda.

Que eu olhe a tudo

E veja um mundo de esplendor.

Que eu saiba

Abrir asportas

E descobrir a cor

Do amor.

Mas eu sou como todos

E como todos não venho a saber.

Só sei que um dia farei e verei.

Só sei que, como Sócrates, nada sei.

Por Lisa Stér Cöy

www.lisastercoy.com

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ironia Conjunta

Que mal seria embaralhada
Tampouco sôfrega
Do remorso esmiuçado
E das memórias lúbricas.

Então, ao pedido de resposta
Abaixa a cabeça
Tua mão funde em minhas costas
Abre os olhos num ato veemente e sedutor
Minhas pupilas se dilatam
Abre um sorriso leve
Frio
Tímido
Que ironia

Como opostos que não vivem separados
Como Lua e Sol
Dia e noite
Treva e luz

Como Vestida e nua
Carinho e açoite
Tridente e cruz

Como não vivem sós
Coração e sangue
Somos nós.

(26-27-28-29/04/09)

Lisa Stér Cöy
www.lisastercoy.blogspot.com
www.acorjavirtual.blogspot.com
www.poesiaeternizada.blogspot.com

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Soneto Folião

E como chora o Pierrot, eu o faria,
Por não tê-la aqui tão perto assim.
Mas só agora eu percebo a agonia
Qu’é vê-la como d’outro, no abraço do Arlequim.

Então resumi minha folia
Na singela lágrima mascarada;
Quando não me contive e a alegria
Foi sonhá-la aqui, como minha amada.

Mas sei que sou pouco pra seu coração de menina:
Derramo outro choro qu’a máscara encobre,
Porque caí de amores pela Colombina

E não há escape para meu coração pobre.
Exceto aceitar que prantear é minha sina,
Enquanto vivo a dizer que minha paixão é nobre.


Em tempos de fim de carnaval, é interessante ser encontrado por um poema como este, que veio à luz da madrugada, regado à insônia e saudade!!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

IDEAL

Ela era branca, pouco corada, detalhe imperceptível, contudo, posto qu’ era noite; andava de forma calma e refletia a luz qu’ a noite não possuía. Mas, em deslumbramentos, comecemos – por sobre sua fronte espalhava-se um véu castanho claro, sob o disfarce de cabelo, levemente escurecido pelo ambiente noctívago, não pouco umedecido pela atmosfera da madrugada.
Envergava vestes carnalmente divinas, posto que, ao invés de despertar volúpia, emanava um senso quase celeste e, pasme, eterno. Cobria-lhe o dorso cândido uma bata ajustada ao corpo virginal, bata alva de igual modo e de babados que perpassavam as extremidades das mangas e de sua gola; acima de seu colo, envolvendo-lhe o pescoço, uma tênue tira de couro enegrecido fora atada num delicado laço oculto pelo cabelo, que o cobria.
De súbito, tivemos a impressão (ora tivemos a certeza!) de que o paraíso perdera duas ninfas, uma vez que, de chofre, nossos sedentos olhos se brindaram com uma nova varoa de aparência assaz divina quanto a da primeira.

(este é dedicado àquelas capazes de trazer certo sentido à vida de poetas apaixonados)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Rito de Uma Lágrima

Há uma lágrima que, contida
Faz seu trajeto em meu rosto, gotejante;
Vejo um sentimento antigo e sem vida
Que ressuscita-se a si, do pó, errante.

Há a confusa certeza da derrota
E a troca dos papéis uma vez mais…
…há catedrais que desmoronam à minha volta
Além de sinos que se ouvem… não se ouvem mais.

É confuso, volta, retorna e se vai,
Mas, na verdade, nunca saiu de seu posto.
Então como pode ter essa força que me atrai?
Maldito sentimento, que, confuso, é meu desgosto.

Então eu desço àquela escadaria,
Que é palco de todo o meu desejo…
…desfruto das gotas dessa espúria agonia
e mostro-me vencido diante do que vejo.

Mas logo que ela vem, traz,
Sob seus belos risos, salvação.
Traz também beleza, força, calmaria e paz…
Conduz-me ao encanto de um perdoado coração.

E o perdão, emoção tão esquecida,
Torna-se, com ela, sentimento primo…
…quando, puro, a amo e me perco em minha vida.
E a escalo, sem medo, pronto a alcançar-lhe o cimo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Narciso








sábado, 29 de novembro de 2008

Meu ultimo suspiro.

Sinto - me cansado, desolado, abandonado, desamparado
embora todas os olhos me foguem e todos os olhares me filtrem
calculo - me perfurado por todos os tipos de luzes extensas
embora nenhuma delas venha a suprir a minha carencia...

nesse deserto de multidoes onde todos me cercam
sobrevivo como uma ilha deserta e desesperada em sua busca,
busca de sentidos, caminhos e direçoes, que nada vale...
mais mesmo assim continuo a buscar embora nada encontre...

lembra daquela primeira estrela que aparece ao anoitecer?
lembra dakelas outras que aparece logo depois?
sinto - me como a primeira estrela, que sendo a primeira chegar,
nao desapareço nem quando a luz do sol me ilumina...

lembra de todas as pessoas que sumiram de sua vida?
mesmo sendo de algumas horas ou poucos dias?
jamais sumirei de sua vida por mais magoas que vc venha a me causar
nao terei a capacidade de abandonar vc no pior ou melhor momento de sua vida...

lembra - se do deserto?
lembra - se da ilha?
lembra - se das estrelas?

mesmo que venha a acontecer tudo, desaparecer todas as coisas
meu espirito nao te abandonará...
nem em meu ultimo suspiro...

( dedicado a vc - Samara Martins )

domingo, 16 de novembro de 2008

Há Que Raiva

(Thiago Grijó Silva)

Há mais que raiva
Quanta raiva me da essa emoção
Minha vontade esta clara
Vou arrancar teu coração
E comer do teu fígado

Há mais quanta raiva
Quanta raiva que me da
Te ver olhar tão calmamente pro mar
E nem se da conta de que eu estou a te olhar

Há que raiva que me da
Minha vontade e de te ver morrer
Há que raiva que me da
Ver tua alegria só por ele aparecer
Há queria era ver
Essa mesma alegria no dia em que eu for te ver
Há essa raiva não adormece
Só enfraquece ainda mais o meu corpo
Já cansado
Quase que morto
Parece um espantalho
Sem vida no chão

Há como eu queria que você
Ficasse feliz assim ao me ver
Há que vontade de morrer
Que dor sem fim
Sinto-me aprisionando dentro de mim

Há que raiva que me da
Te ver sorrir só por ele chegar
Que raiva que me da
Te amar...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Noite de Chuva

(Thiago Grijó Silva)

Noite de chuva
Atrás da sombra o silencio
Da madrugada perturba
Meu coração

Noite de chuva
Os meus pensamentos
Bóiam dentro do mar mórbido
Da minha vida sem rumo
Na qual mudamos o curso
Sem ver em que direção se vai

Nada mais
Vejo a minha frente
Apenas sombras vagam pela minha mente
E nada mais ouço passar
Apenas um sussurrar no pé do ouvido
E o medo, meu velho amigo
Que nunca quis me abandonar

Noite se vai
Como a chuva que cai
Perturbando as lembranças
De quando eu era criança
A memória do meu pai

Noite de chuva
De chuva que cai
E pra mim sobra apenas
O tempo para lamentar
Para ver onde vou errar
E qual o próximo tiro que não vou acertar

Noite escura
A chuva cai
Ando nas sombras
Mas é Deus quem vai
Guiando-me os caminhos
Por isso nunca estou sozinho

Chuva cai
Mas vai parar
Sofro hoje
Mas amanhã não vou chorar...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tara Sentimental


O impulso de meus olhos
Que dilatam em contato
Com a gota do orvalho
Revivendo um certo fato

Não me importo de acolher
Esta memória eternamente
Pois no eterno quero crer
No eterno amor que sentes.

Impossível de se ver
No entanto, tal momento
Terna ou eternamente reviver
Esta tara de sentimento.

Rodopios por um mundo sem igual
Devaneios que me fazem cada vez mais
Crer em coisas loucas, tal qual
O gosto salgado que tua lágrima faz.

Sentimento recíproco
De almas não mais feridas
De corações não mais ocos
De felicidades unidas.


Lisa Stér Cöy.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fome

Fome que me destroi me insanando essa dor que por dentro me corroe;

Fome que me alimenta, me deixando embriagado com essa amargura de meu estado;

fome que me consola com a dor veemente de sua magnifica gloria;

fome que me causa disturbios por vontades que nao sei de onde vem, e pela triste saudade de nunca ter amado alguem;

fome que me fere feito um animal, por esse fato, por esse trato me crio vontades do qual me sinto mal;

fome que me aquece, pelo sentido estado que nunca me enriquece;

fome que me desprezou pelo sequinte fato de que nunca ninguem me amou.

Olhe

(Thiago Grijó Silva)

Olhe para o mundo
E me diga o que você vê?
Pessoas com fome
Pessoas querendo saber
Sobre tudo que não podem entender

Olhe para o futuro
E me diga o que você vê?
Um mundo sujo
Onde todos rastejam pelos cantos escuros
Buscando coisas que já não podem ter

Olhe para o presente
E me diga o que você vê?
Pessoas que rastejam ao lembrar-se do passado
Olhando o futuro elas acham
Que podem se salvar

Olhe para o passado
E me diga o que você vê?
Uma gama de erros incorrigíveis
Num suceder de fatos horríveis
Manifestando-se no presente
Movimento de nossas vidas vazias
Que giram em torno do obscuro buraco negro da vida

Olhe agora para você
E me diga o que você vê?...

domingo, 2 de novembro de 2008

Pálida à luz - Álvares de Azevedo

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo